Sindicato dos Bancários de Campinas e Região

Os quatro maiores bancos do país — Banco do Brasil, Bradesco, Caixa e Itaú — perderam participação no mercado financeiro em 2025, segundo o Banco Central. Na contramão, cooperativas de crédito e instituições não bancárias ganharam espaço. Confira reportagem do Valor desta segunda-feira. 

Crédito do texto: Hamilton Ferrari, Valor— Brasília 25/05/2026 

O Banco Central (BC) informou, nesta segunda-feira (25), que os quatro maiores conglomerados bancários (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Itaú) detinham 57,1% do mercado de crédito e dos depósitos totais no Brasil no segundo semestre de 2025. O percentual era de 57,9% no mesmo período do ano anterior.

Ao mesmo tempo em que os gigantes bancários perderam participação no Sistema Financeiro Nacional (SFN), houve avanço das cooperativas de crédito e do setor não bancário no período. A Caixa Econômica Federal respondia pelo maior percentual entre os quatro conglomerados, com 19,2%. Em seguida, aparecem o BB (15,4%), o Bradesco (11,3%) e o Itaú (11,2%). No critério de depósitos totais, os quatro conglomerados detinham 55,3% do total, ante 57,1% do mesmo período do ano passado.

O percentual era dividido em 14,4% da Caixa, 14,3% do BB, 14,0% do Itaú e 12,5% do Bradesco. Os maiores bancos tinham 54,1% dos ativos totais. Havia sido de 54,7% um ano antes. Nesse quesito, o BB tinha a maior participação (15,0%), enquanto Caixa (14,7%), Itaú (13,0%) e Bradesco (11,4%) completavam o restante do percentual.

Cooperativas e setor não bancário

O REF mostrou que a redução de concentração do SFN envolveu o aumento de participação do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) e do segmento não bancário (N1 + N22). As instituições do segmento bancário (B1 + B2) perderam participação de mercado. Esse movimento foi observado em todos os agregados contábeis observados no período e está relacionado ao menor crescimento relativo de ativos, depósitos totais e operações de crédito nesse segmento quando comparado ao crescimento dos segmentos não bancário (N1 + N2) e das cooperativas de crédito.

O Banco Central disse que o grupo B3 aumentou de 7,2% em 2024 para 7,8% a concentração em operações de crédito. As instituições não bancárias subiram de 2,6% para 3,0% no período. Em depósitos totais, o segmento que inclui as cooperativas aumentou de 7,5% para 7,9%. Entre N1+N2, avançou de 3,0% para 3,7%.

Os ativos totais também cresceram para esses grupos, de 6,1% para 6,6% no segmento B3 e de 2,4% para 3% no segmento N1+N2.

Financiamento à economia real

O financiamento à economia real desacelerou no segundo semestre de 2025, mostrou o REF divulgado netsa segundafeira. O BC informou que o "enfraquecimento está em linha com as condições financeiras mais restritivas e com a moderação no crescimento da atividade econômica".

No crédito bancário às pessoas físicas (PFs), houve, de forma geral, um arrefecimento da carteira na margem, com desaceleração da carteira de maior risco e aumento do crescimento da carteira de menor risco.

Entre as pessoas jurídicas, o crédito bancário desacelerou para empresas de todos os portes. Um menor crescimento também foi verificado no mercado de capitais, segundo o BC. Este, porém, continua crescendo a “taxas bastante superiores às do crédito bancário”, ampliando sua representatividade, especialmente no financiamento de grandes empresas, e contribuindo de forma significativa para a dinâmica do crédito amplo.

Capacidade de pagamento

De acordo com o REF, a capacidade de pagamento das empresas e das famílias segue desafiadora. Apesar do mercado de trabalho aquecido, com redução da taxa de desocupação e expansão da renda média, os níveis de comprometimento de renda das famílias permaneceram elevados no segundo semestre de 2025.

Segundo o texto, houve impacto entre os tomadores de menor renda e forte contribuição de modalidades de crédito mais caras. O documento não faz menções ao Programa Desenrola Brasil. No caso das empresas, indicadores de dívida líquida/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e Índice de Cobertura de Juros (ICJ) não foram influenciados de forma significativa pelo aperto das condições financeiras.

O dado revela resiliência das receitas, de acordo como BC. Apesar disso, o ICJ “conta com expectativa de deterioração no médio prazo, especialmente em um cenário de arrefecimento da atividade”. O Banco Central afirmou que o apetite de risco das instituições financeiras mostrou sinais de redução na margem.

A autoridade monetária identificou uma desaceleração do crescimento do crédito para as famílias e para as empresas, acompanhada de leve melhora na qualidade das novas contratações de pessoa jurídica (PJ).

O relatório disse que os sinais de maior propensão ao risco persistem em modalidades específicas, notadamente no crédito pessoal não consignado, que continuou crescendo a taxas elevadas e com aumento da participação de operações sem garantia

A expectativa para o próximo trimestre é de manutenção de um ambiente de oferta de crédito restritivo. A materialização de risco aumentou no crédito às famílias e manteve-se relativamente estável no crédito às empresas, porém deve continuar pressionada no curto prazo, segundo o BC.

Segundo a autoridade monetária, as provisões constituídas pelas instituições financeiras permanecem compatíveis com as perdas esperadas da carteira de crédito e com os níveis mínimos regulamentares. “Embora existam casos pontuais de provisões abaixo dos intervalos estimados de perdas esperadas, a maior parte das instituições apresenta níveis de capitalização suficientes para absorver eventuais ajustes”, disse o BC.

Eventos climáticos

O percentual de instituições financeiras afetadas por eventos climáticos reduziuse à metade em 2025 em relação a 2024. Voltou aos níveis de 2022 e 2023, segundo o REF. A materialização de riscos climáticos caiu de 44% em 2024 para 21% em 2025. Na expectativa de longo prazo, as instituições avaliam que o impacto esperado médio de eventos físicos agudos e crônicos nos ativos das instituições é baixo.

Avaliam que os principais canais de transmissão dos riscos físicos para os riscos financeiros são os impactos nos ativos e processos produtivos e na renda, o que tem efeitos sobre o mercado de crédito e inadimplência.

A Pesquisa de Estabilidade Financeira (PEF) sobre os riscos relacionados ao clima mostrou que algumas instituições relataram o uso da experiência com os severos eventos climáticos em 2024 para aprimorar o gerenciamento de riscos climáticos, como a governança.

As instituições consideram que, no longo prazo, o impacto esperado médio de riscos climáticos físicos agudos é baixo. O risco de crédito permanece como o mais relevante para a transmissão de riscos climáticos físicos e de transição para o Sistema Financeiro Nacional (SFN). A percepção reflete as avaliações de risco informadas no Documento de Risco Social, Ambiental e Climático (DRSAC).

O BC disse que não existe definição uniforme para os níveis qualitativos de risco. Instituições podem ter definições diferentes para o que é considerado nível baixo de risco sociais, ambientais e climáticos (SAC). Ainda assim, os dados indicam um “alerta para a maior exposição de alguns setores e para a importância de avanços na padronização de conceitos e registro dos riscos”.

As instituições financeiras dos segmentos S1 a S4 publicam anualmente o Relatório GRSAC desde 2022. Entre as 444 instituições individuais e conglomerados nesses segmentos, 256 enviaram alguma informação de dezembro de 2025. As outras 188 registraram o "documento zerado".

Em relação ao nível de risco, 34,6% da carteira avaliada (R$ 893 bilhões) foram classificados em risco alto em pelo menos uma dimensão de risco SAC. Outros 28,9% foram classificados em risco médio. Quando, em vez de tomar-se a pior avaliação entre as dimensões de risco (social, ambiental, climático físico e climático de transição), calcula-se a média entre elas, 14,0% da carteira avaliada estão em risco alto e 38,2%, em risco médio.

O risco concentra-se na agropecuária e na indústria, especialmente a extrativista, consideradas as avaliações no nível setor. Os avanços incluem maior utilização do horizonte de longo prazo no gerenciamento do risco e o uso da Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB). Apesar da percepção das instituições de baixo risco no longo prazo, o BC tem feito esforços para evoluir na coleta e na análise dos dados do DRSAC. 

(Fonte: reprodução Valor)

© 2026 Sindicato dos Bancários de Campinas e Região