Sindicato dos Bancários de Campinas e Região

O Comando Nacional dos Bancários, que representa o Sindicato, e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) realizam nesta quinta-feira (30) a quinta rodada de negociações da Campanha Nacional 2026. Na pauta estão as cláusulas econômicas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), incluindo reajuste salarial, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), vales alimentação e refeição e demais verbas remuneratórias.

O presidente do Sindicato, Lourival Rodrigues, e a vice-presidente, Ana Stela Alves de Lima, estão em São Paulo, acompanhando a negociação e a luta por aumento real e a valorização da remuneração diante dos resultados expressivos do setor bancário.

Segundo estudo do Dieese, os cinco maiores bancos do país somaram lucro de R$ 124 bilhões em 2025. Apenas no primeiro trimestre de 2026, o lucro conjunto chegou a R$ 29,8 bilhões.

O levantamento também aponta que o patrimônio líquido do setor alcançou R$ 1,2 trilhão em 2025, enquanto os setores de eletroeletrônica e mecânica, juntos, como exemplo, registraram R$ 48 bilhões.

Entre as prioridades da negociação está também o aumento dos vales alimentação e refeição, com a recomposição do poder de compra dos benefícios. Atualmente, o tíquete refeição diário dos bancários é de R$ 53,33, valor inferior ao preço médio das refeições em capitais como São Paulo (R$ 62,30), Rio de Janeiro (R$ 63,36) e Brasília (R$ 55,39).

PLR

Outro tema central será a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A representação dos bancários defende o aumento da parcela distribuída aos trabalhadores, argumentando que, apesar dos lucros recordes, os bancos privados reduziram ao longo dos anos o percentual destinado aos empregados.

Em 2025, os três maiores bancos privados distribuíram entre 5,4% e 7,1% do lucro líquido em PLR, embora a CCT permita a distribuição de até 15%. Apenas a Caixa atingiu esse percentual, enquanto o Banco do Brasil se aproximou, com 11%.

Dados do Dieese também mostram que os gastos com pessoal seguem em queda. Entre 2019 e 2025, as despesas com remuneração recuaram 15%. Excluindo a PLR, a redução chega a 17%.

Em contrapartida, a receita obtida com tarifas e prestação de serviços continuou crescendo. Em 2025, os cinco maiores bancos arrecadaram o suficiente para cobrir 123% de todas as despesas com pessoal, incluindo salários, benefícios e PLR, gerando uma sobra equivalente a 23%.

Saúde

Também é esperada a retomada das discussões sobre saúde, já que a negociação do tema foi encerrada na semana passada sem uma resposta da Fenaban às reivindicações da categoria.

O assunto ganha ainda mais relevância diante do avanço do adoecimento mental entre os bancários. Dados do INSS, compilados pelo SmartLab, mostram que a categoria concentra 25% dos afastamentos por transtornos mentais registrados entre todos os segmentos econômicos do país nos últimos dois anos.

Atualmente, os transtornos mentais já respondem por mais da metade dos afastamentos no setor bancário, reforçando a necessidade de medidas efetivas para reduzir a sobrecarga, combater o assédio e melhorar as condições de trabalho.

 

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