Em mesa de negociação nesta quinta-feira, a Caixa Econômica Federal se comprometeu a apresentar amanhã (28/8) uma proposta para o Saúde Caixa, desta vez alinhada com as expectativas dos empregados e usuários do plano.
Após aprofundar internamente as discussões e ter as duas propostas já recusadas pela Comissão Executiva dos Empregados (CEE), o banco assegurou uma reformulação com foco nas reinvidicações. A representação cobra a ampliação da participação financeira da Caixa e não mais simplesmente que o custo seja transferido aos usuários.
“Considero que nesta sexta-feira teremos o Dia D do Saúde Caixa, que é, atualmente, um dos principais pontos de insatisfação dos empregados. A paralisação do dia 20 mostrou nossa força e agora o banco precisa agir”, diz o diretor Gabriel Musso, que acompanha as negociações.
Os empregados querem que a Caixa volte a contribuir financeiramente com 70% das despesas, conforme está no acordo coletivo. Atualmente, a Caixa segue o teto de 6,5% da folha de pagamento.

PLR também preocupa empregados
Na mesa, a CEE demonstrou preocupação com possíveis impactos sobre a PLR, a partir da redução do lucro do banco no primeiro semestre. Segundo o balanço, o lucro líquido recorrente do semestre caiu 17,6%, de R$ 8,938 bilhões para R$ 7,368 bilhões.
Representantes do banco disseram que a PLR também está sendo analisada internamente e lembraram que a negociação envolve o acordo específico sobre o tema, sinalizando que possíveis ajustes serão debatidos com a representação dos empregados.
Outros
A CEE ainda voltou a cobrar respostas para reivindicações relacionadas à carreira. Entre elas estão a construção de um novo Plano de Cargos e Salários (PCS), a revisão do Plano de Funções Gratificadas (PFG) e mudanças nos Processos Seletivos Internos (PSIs), com critérios mais objetivos e transparentes.
O atual PFG é de 2010 e, para a representação dos empregados, deixou de acompanhar as profundas mudanças ocorridas na organização do trabalho. No PCS, a CEE ressaltou a situação dos empregados que chegam ao topo da carreira muito antes da aposentadoria e permanecem anos sem possibilidade de novas progressões. Também foi novamente cobrado que nenhuma alteração envolvendo caixas, tesoureiros ou outras funções seja implantada unilateralmente, sem negociação.
A Caixa propôs a criação de um grupo de trabalho sobre “trajetória”, que reuniria inicialmente as discussões sobre PCS, PFG, PSI e remuneração variável. A CEE avaliou que PCS, PFG e PSI podem ser tratados de maneira articulada, mas defendeu um grupo específico para remuneração variável.
A representação dos empregados também exigiu que os grupos tenham funcionamento efetivo, com composição apenas entre Caixa e Contraf-CUT, periodicidade definida, calendário de reuniões e prazo para apresentação de resultados.
A CEE quer ainda que o compromisso de tratar esses temas seja incorporado ao ACT, uma vez que não haverá tempo suficiente para concluir toda a discussão sobre novos planos de carreira antes do encerramento da campanha. A Caixa ficou de avaliar a proposta de separação dos grupos.
Super Caixa precisa ser negociado
Outro tema central foi o Super Caixa, com crítica às regras complexas e pouco transparentes do programa atualmente. A representação defende um modelo mais simples, e previamente definido, sem alterações durante o ciclo, com o princípio “vendeu, recebeu”, e que reconheça o resultado construído coletivamente.
Atendimentos digitais
A organização do atendimento nas agências também ocupou parte importante da reunião. A CEE apresentou relatos de sobrecarga de empregados que precisam realizar simultaneamente atendimentos presenciais e digitais, muitas vezes sem treinamento, dimensionamento de pessoal ou estrutura física adequados.
A representação dos empregados cobrou uma regra que impeça essa sobrecarga e voltou a questionar cobranças de metas e indicadores que penalizam as unidades e os empregados.
A Caixa informou que 2.178 agências estão no modelo chamado de atendimento “figital” e ressaltou que a experiência ainda é considerada um projeto em implementação e sujeito a ajustes. O banco propôs uma agenda específica, logo após a conclusão do acordo coletivo, para confrontar os dados acompanhados pela área de rede com os relatos apresentados pela representação dos empregados e avaliar mudanças no modelo.
Avanço para empregados PCDs e com TEA
A Caixa apresentou ainda uma proposta para ampliar aos próprios empregados com deficiência, inclusive com Transtorno do Espectro Autista (TEA), condições especiais já previstas para trabalhadores que têm dependentes PCDs.
Pela proposta debatida, empregados enquadrados poderão solicitar, conforme a necessidade identificada, redução de jornada de até 25%, flexibilização de horário ou encaminhamento para trabalho remoto, especialmente para realização de terapias. A análise deverá ser feita por equipe multidisciplinar, considerando a situação individual de cada trabalhador.
O fluxo prevê que o trabalhador procure o atendimento de pessoas. Quem ainda não estiver cadastrado como PCD passará pelo novo processo de enquadramento discutido nas negociações. Uma vez reconhecida a condição, poderá solicitar as condições especiais, com avaliação multidisciplinar e retorno ao empregado e à unidade.
A Caixa afirmou que as necessidades serão avaliadas individualmente e que, quando houver indicação de transferência, a área de pessoas terá competência para viabilizá-la. O banco também se comprometeu a criar um código específico para registrar as ausências decorrentes da redução de jornada, de modo a deixar claro que se trata de um direito decorrente do enquadramento, e não de uma liberalidade do gestor.
A CEE cobrou ainda critérios com o máximo de objetividade possível, ampla divulgação dos direitos e atenção às condições de acessibilidade e infraestrutura dos locais de trabalho.
“O novo acordo vem ao encontro do trabalho dos Sindicatos para promoção de iguais oportunidades dentro do banco. O objetivo é impedir que esses empregados tenham sua capacidade profissional prejudicada pela falta de adaptações adequadas”, destaca Gabriel.
Negociação continua nesta sexta
A rodada terminou com a expectativa concentrada no Saúde Caixa. A previsão é de que a mesa seja retomada na manhã desta sexta-feira (28), quando a Caixa deverá finalmente apresentar a nova proposta para o plano.
(Sindicato dos Bancários de Campinas, com informações da Contraf-CUT)